Tem alguma foto bonita do fim de semana? Mostre para nós nos comentários! 📷❤️

Dona Lurdes, de 73 anos, morava numa pequena aldeia perto de Coimbra.

Não costumava tirar fotografias.

— Na minha idade, para quê tantas fotos? — dizia.

Mas naquele sábado a neta Carolina insistiu.

— Avó, fique aí junto à roseira. Está tão bonita!

Lurdes riu.

Vestia um avental velho, tinha as mãos sujas de terra e o cabelo preso de qualquer maneira.

— Assim? Pareço uma espantalha!

— Está linda.

Carolina tirou a fotografia.

Na imagem, Dona Lurdes estava junto a uma enorme roseira de flores cor-de-rosa que crescia encostada à parede branca da casa.

Parecia uma fotografia simples.

Mas aquela roseira tinha uma história.

O marido de Lurdes, António, plantara-a no dia em que nasceu a única filha do casal, Helena.

— Enquanto esta roseira der flores, esta casa nunca ficará sem amor — dissera ele.

António morreu havia nove anos.

Helena, a filha, emigrara para França e vinha cada vez menos.

Nos últimos anos, Lurdes passava grande parte do tempo sozinha.

No domingo, Carolina publicou a fotografia da avó.

Escreveu:

“73 anos, uma vida inteira nesta casa e ainda diz que não gosta de tirar fotografias. Para mim, é a mulher mais bonita do mundo.”

A fotografia recebeu centenas de comentários.

Mas um deles chamou a atenção de Carolina.

Era de uma mulher chamada Sophie Martins, que vivia em Lyon.

“Esta senhora chama-se Lurdes Ferreira?”

Carolina respondeu que sim.

Minutos depois, recebeu uma mensagem privada.

Sophie contou algo inesperado.

A mãe dela, Teresa, tinha crescido naquela mesma aldeia e fora a melhor amiga de Lurdes na juventude.

Tinham perdido o contacto havia quase cinquenta anos.

Lurdes ficou pálida quando ouviu o nome.

— Teresa? A minha Teresa?

Quando eram jovens, tinham prometido ser madrinhas dos filhos uma da outra.

Mas Teresa emigrara depois do casamento.

As cartas foram ficando raras.

Depois pararam.

Naquela noite, através de uma videochamada, duas mulheres de mais de setenta anos voltaram a ver-se depois de quase meio século.

Durante alguns segundos nenhuma conseguiu falar.

Depois Teresa disse:

— Ainda tens a roseira do António.

Lurdes tapou a boca com a mão.

— Como te lembraste?

— Porque fui eu que o ajudei a escolhê-la.

As duas começaram a chorar.

Três semanas depois, um carro parou diante da casa.

Teresa saiu devagar, apoiada numa bengala.

Lurdes estava à porta.

Nenhuma disse nada.

Abraçaram-se.

Carolina tirou outra fotografia.

Duas amigas idosas debaixo da mesma roseira que sobrevivera a casamentos, filhos, partidas, mortes e cinquenta anos de silêncio.

Dona Lurdes passou então a dizer:

— Tirem fotografias. Tirem muitas.

Porque às vezes uma fotografia não serve apenas para guardar o passado.

Às vezes é ela que traz o passado de volta até nós.

Qual é a fotografia aparentemente simples que guarda uma grande história na sua família? 📷❤️

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MagistrUm
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