Dona Teresa, de uma pequena vila perto de Coimbra, dizia que já não esperava nada de especial dos verões

Dona Teresa, de uma pequena vila perto de Coimbra, dizia que já não esperava nada de especial dos verões. Aos sessenta e oito anos, os dias pareciam todos iguais: abrir as janelas cedo, regar as plantas antes do calor apertar, fazer café, ouvir as notícias e sentar-se junto à porta, a ver a rua quase vazia.

Naquele dia, o calor era tão forte que até as pedras pareciam arder. Teresa tinha posto uma bacia com água fresca para o cão do vizinho e estava a descascar pêssegos na cozinha, quando ouviu alguém chamar: “Avó!”

Ela pensou que tinha imaginado. A neta, Mariana, vivia em Lisboa e quase nunca vinha sem avisar. Mas quando abriu a porta, lá estava ela, com uma mala pequena, o cabelo preso, o rosto cansado e os olhos cheios de lágrimas.

— Avó, posso ficar aqui uns dias? — perguntou.

Teresa não fez perguntas. Abriu os braços. Há dores que não precisam de explicação, só de colo.

Mais tarde, ao fim da tarde, quando o sol já batia dourado nas paredes brancas da casa, Mariana tirou uma fotografia. Na imagem, Teresa estava sentada à mesa com duas chávenas de café, um prato de pêssegos cortados e a mão pousada sobre a mão da neta. Não se via a conversa. Não se ouvia o silêncio. Mas quem olhava para a fotografia sentia tudo.

Mariana publicou-a com uma frase simples: “O verão em que voltei para onde ainda havia amor.” Em poucas horas, os comentários multiplicaram-se. Mulheres falavam das avós, das mães, das casas antigas, dos regressos que salvam a alma.

Teresa não sabia bem o que dizer. Olhou para a fotografia e sorriu devagar. “Ainda bem que deixei os pêssegos no frigorífico,” murmurou.

Este verão ficará marcado pelo calor, sim. Mas às vezes também fica marcado por uma porta que se abre na hora certa.

E vocês, que fotografia guardaram deste verão? 📸
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MagistrUm
Dona Teresa, de uma pequena vila perto de Coimbra, dizia que já não esperava nada de especial dos verões